Revista Mercado Automotivo

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Revista Mercado Automotivo | Edição 238

MATÉRIA DE CAPA - Edição 238: Dezembro DE 2014
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Por Cléa Martins

Depois de vender mais de 3,8 milhões de unidades em 2012 e mais de 3,6 milhões em 2013, montadoras amargam queda de 15,5% de produção e cerca de 9% nas vendas entre janeiro e novembro deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Conseguindo que as vendas de dezembro do ano passado, mês em que foram comercializadas 353 mil unidades, se repitam agora, o setor fecharia 2014 com um total de 3,48 milhões de veículos novos comercializados, 7,6% a menos do que no ano anterior.

Se os emplacamentos caíram, as linhas de montagem também tiveram suas produções reduzidas. De janeiro a novembro deste ano foram produzidos 2,94 milhões de veículos, ante os 3,48 milhões no mesmo período de 2013.


Os resultados negativos do mercado de veículos novos impactou diretamente o setor de autopeças. Afinal é dele que provém quase 70% da demanda de componentes automotivos, explica Paulo Butori, presidente do Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores. Com isso, o setor registrou queda de 13% no faturamento real acumulado de janeiro a setembro, segundo pesquisa mensal do Sindipeças realizada com 87 empresas associadas que representam 30,1% do faturamento total da indústria de autopeças no Brasil. “Há dois principais motivos da queda de faturamento de nosso setor: a redução na produção das montadoras no mercado local e as dificuldades que a Argentina, o principal destino de nossas exportações, tem enfrentado. Os investimentos também caíram, como mostra a tabela de nossas previsões, que será revista em dezembro”, explica Butori.

Essas quedas acentuadas, tanto da venda quanto da produção de veículos, ofuscam o otimismo vivido pelo setor nos últimos anos. Em 2012, por exemplo, a Anfavea divulgou em seu anuário perspectivas bem favoráveis e que, agora, parecem não representar a mesma realidade: “Entre 2002 e 2011 o mercado automotivo cresceu 145%, com média anual superior a 10%, enquanto a produção, embora em ritmo menor que o das vendas internas, expandiu-se 109% no período, média de 8,6% ao ano. As perspectivas, no que se refere ao comportamento do mercado, são animadoras e revelam potencial de crescimento também nos próximos anos, com o Brasil podendo vir a consumir 6 milhões de veículos/ano em futuro de médio e longo prazos, desde que mantidas as perspectivas de estabilidade e de expansão da economia brasileira, além de adequadas condições de crédito e de acesso do consumidor ao mercado”.

Cenário ruim apenas para o mercado original? A primeira vista, pode até não parecer. Mas essa realidade também interfere no mercado de reposição. Dados do Sindipeças mostram que neste ano houve redução de vendas em todos os segmentos de mercado: para montadoras, de 16,7%; intrassetoriais, 11,3%; mercado externo, 3,9%; e reposição, 3,7%.

Além disso, o crescimento da frota – matéria-prima do aftermarket – impacta diretamente na demanda por novos serviços. E se é o aumento da frota conquistado nos últimos anos que alimentará a demanda por reparos e autopeças no mercado independente nos próximos anos, com as vendas em baixa, pode faltar carro e sobrar oficina no futuro. Só para se ter ideia de como esse aumento foi importante, basta lembrar que em 2004 a frota de veículos no País não passava dos 23 milhões de unidades. Em 2013 ela já tinha alcançado os 40 milhões.

A boa notícia é que, se o mercado de veículos novos foi surpreendido pela má fase, o de usados e seminovos tem conseguido prosperar. Dados da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores – apontam que, entre janeiro e outubro deste ano, foram vendidos mais de 1,2 milhão de veículos. Isso representa um aumento de 6,8% nas vendas em relação a mesmo período de 2013, quando foram comercializadas pouco mais de 1,1 milhão de unidades.

Ainda de acordo com a entidade, considerando as vendas de carros novos e usados no País, para cada veículo novo comercializado, 2,8 usados são vendidos. Também de acordo com a entidade, 51,2% desses carros têm até oito anos.

Mais previsões

Com vendas menores em todos os segmentos, a reposição ganha maior participação dentro da indústria produtora de autopeças. Subindo de 14,8% em 2013 para 16,3% este ano. E, em 2015 ela deve subir um pouco mais, para 16,7%. No entanto, esclarece Butori, as montadoras continuarão sendo o principal segmento, mantendo o mesmo percentual de hoje, 67,7%.


2015, aliás, deve mudar muito pouco em relação a este ano, acredita o presidente do Sindipeças. Paulo Butori afirma que o próximo ano será “tão desafiador” quanto este para o setor de autopeças: “Vamos crescer muito pouco, cerca de 1% sobre 2014, cuja base já foi baixa”.

Ainda segundo o dirigente, há vários desafios, como educação, empregabilidade e dificuldades para concorrer no mercado externo, que precisam ser superados pela indústria nacional: “Esperamos que o novo governo faça o que deve ser feito para que o setor de autopeças volte a atrair investimentos. Porque nossas previsões indicam novas quedas de faturamento real em 2015. A grosso modo, o ano que vem será semelhante a 2014, com pouco crescimento nos investimentos, que nem chegam a se recuperar da queda de quase 61% este ano, em relação a 2013”.



Elias Mufarej, coordenador do GMA (Grupo da Manutenção Automotiva) e conselheiro do Sindipeças para o mercado de reposição, também vê o próximo ano com cautela, mas acredita que a reposição se mantenha estável, apesar das previsões de retração nas vendas de veículos novos este ano: “A frota circulante continua evoluindo. Levantamento do Sindipeças revela que existem 40 milhões de veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, um mercado que apresenta crescimento médio de 5% ao ano. Este cenário deve permanecer nos próximos anos. Com isso, o aftermarket se mantém estável e a indústria prevê crescimento neste segmento. Apesar de ainda não termos fechado o ano, há indícios de que, mesmo em um ano atípico com Copa do Mundo e eleições, a reposição registrará pequeno incremento”.

Francisco de La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo), também ressalta que o crescimento da frota passível de manutenção representa um fator importante para o aumento de vendas. No entanto, diz que fatores macroeconômicos, como inflação, contas públicas, câmbio e política fiscal principalmente, necessitam de ajustes, pois inibirão os negócios no próximo ano: “Se não fizermos os ajustes macroeconômicos desde já, teremos, com certeza, não apenas em 2015, mas nos anos seguintes também, um cenário extremamente difícil”.

A complexidade tributária também é um dos fatores apontados por Renato Giannini, presidente da Andap (Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças) e do Sicap (Sindicato do Comércio Atacadista de Peças e Acessórios para Veículos de São Paulo), que contribuíram para as vendas menores em 2014. “É um verdadeiro absurdo ter cada Estado legislando em causa própria e com todos os impostos sendo pagos antecipadamente”.

Apesar disso, Giannini acredita que 2015 pode ser melhor: “É claro que certos ajustes terão que ser feitos, pois a economia desacelerou até na China. Mas não se esqueçam, depois da tempestade vem a bonança. Nas épocas difíceis é que surgem as oportunidades e a criatividade; temos que manter os pés no chão e trabalhar bastante, pois Deus ajuda a quem cedo madruga, caso contrário, a situação vai ficar difícil”.

Nas oficinas da cidade de São Paulo, diz Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios) e Sindirepa-SP, além dos fatores econômicos, a interrupção da inspeção ambiental veicular contribuiu para a queda no movimento das oficinas. “[Com a lei] havia o estímulo para que o dono do carro fizesse a revisão. Tivemos um retrocesso que afetou toda a sociedade.”

Além do final das inspeções ambientais, a Copa do Mundo também afetou o movimento nas reparadoras, acredita Fiola. Apesar dos problemas, ele acredita que 2015 será melhor: “2014 não foi um ano próspero como os anteriores, mas esperamos a retomada em 2015. A venda de veículos seminovos, que ficou aquecida, é um fator positivo para a reparação. Outro ponto favorável é o contínuo crescimento da frota circulante de veículos, o que gera demanda”, explica.

Enquanto briga para que as inspeções sejam retomadas, Fiola alerta para a importância da propagação de programas como o do Carro 100%, em prol da manutenção preventiva, e ressalta a Lei Alvarenga, que entra em vigor já no próximo ano. Segundo ele, a lei, que deve controlar a abertura e o funcionamento de oficinas, é um marco para o setor no Estado de São Paulo e obrigada que o estabelecimento conte com responsável técnico e siga normas de serviço da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Com menos oficinas irregulares abertas, sobra mais clientes para quem trabalha corretamente.

José Arnaldo Laguna, presidente do Conarem (Conselho Nacional de Retífica de Motores), também espera um 2015 melhor. Neste ano, segundo ele, a forte concorrência foi um dos principais problemas do segmento.

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