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Quem pensou que com o aumento de vendas de carros novos no País o comércio de usados estaria fadado às sobras estava redondamente enganado. Após o anúncio da Anfavea – Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores – de que em janeiro deste ano houve um aumento de 40% das vendas de carros novos, em relação a janeiro de 2007, a Assovesp – Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo – divulgou um crescimento de 50,30% no comércio de carros usados durante o mesmo período comparado. E olha que os revendedores de carros usados já vinham comemorando o ano de 2007, cujas vendas de cerca de 1,6 milhão de veículos superaram em incríveis 51,8% o ano de 2006. As vendas apresentadas em janeiro de 2008, com um total de 165.857 carros usados comercializados, representaram um aumento de quase 3% sobre dezembro de 2007, mês que tradicionalmente é considerado um dos melhores para o comércio em geral. Em fevereiro e março deste ano o mercado de usados também se mostrou bastante positivo para os negócios. Em março, 172,6 mil unidades de usados foram comercializadas. Isso representa, segundo a Assovesp, um aumento de 49,02% em relação ao mesmo período do ano passado e uma alta de 2,15% na comparação com fevereiro. Para os dirigentes da Associação, março mostrou que o mercado interno está alcançando um maior grau de maturidade e é a maior tranqüilidade econômica que se vive no País desde a criação do Plano Real que hoje impulsiona as compras.
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Assim como acontece com o mercado de carros novos, os veículos com motor 1.0 são os mais pedidos nas lojas de carros usados. Do total de vendas realizadas nas revendedoras em março, 73,2% (126,2 mil) foram de veículos com motor 1.0. Isso não quer dizer que o brasileiro não goste de carros mais potentes, pelo contrário. O problema é que, na hora de fazer as contas, querer nem sempre combina com poder. E o motorista opta mesmo pelo carro que cabe no seu bolso ou no seu crédito, já que 71% dos negócios foram fechados com algum tipo de financiamento. Ainda segundo a entidade, o saldo médio financiado na aquisição do carro usado foi equivalente a 77% do valor do bem.
Importados novos também atravessam boa fase
No mês de março deste ano, BMW, Ferrari, Kia Motors, Maserati, Porsche e Ssangyong comercializaram 2.073 unidades no atacado brasileiro, 14,53% mais em relação a fevereiro, com 1.810 veículos. Comparado ao desempenho de março de 2007, quando foram alcançadas 809 unidades, o aumento chega a expressivos 156%. Segundo a Abeiva – Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores –, as empresas filiadas à entidade fecharam o primeiro trimestre de 2008 com vendas de 5.345 unidades no atacado (das importadoras às redes autorizadas de concessionárias). Esse volume significa um crescimento de 200,11% sobre igual período de 2007, quando foram comercializados 1.781 veículos. “O desempenho do primeiro trimestre, alentador, nos mostra que teremos um bom ano”, analisa Jörg Henning Dornbusch, novo presidente da Associação. Com resultados tão positivos a entidade manteve sua previsão de vendas em 22 mil unidades para 2008. A entrada de dois novos filiados, a Pagani e a Effa Motors, também deve ajudar a entidade a alcançar seus objetivos para este ano. Conquista que, graças ao Salão do Automóvel de São Paulo, que acontece no final do mês de outubro, pode ser antecipada. Além da Pagani e da Effa Motors, a Abeiva – ao longo de 2008 – deve receber adesão de outras importadoras oficiais de automóveis.
Conquistas
Os números do primeiro trimestre de 2008 permitiram à Abeiva aumentar sua participação tanto no mercado total de automóveis, no qual ela passou de 0,37% (2007) para 0,82% este ano, quanto no segmento de importados, pulando de 4,80% para 6,82%. “O fato de as montadoras estarem vendendo mais do que produzindo, além de terem se manifestado quanto aos volumes de importação, em complemento à produção local, permitiu a nós reivindicar maior participação no mercado brasileiro”, argumenta o presidente da Abeiva. Mesmo vendendo mais, a alíquota de 35% ainda é uma pedra no caminho das importadoras de veículos. Quanto a isso, o presidente da Abeiva diz que manterá, entre suas prioridades, o debate sobre a redução necessária da alíquota de importação: “Nesse cenário, estamos em desvantagem, na medida em que perdemos competitividade nos preços”, finaliza.
Mito
A coincidência entre o mercado de veículos usados e os novos ultrapassa a boa fase das vendas. A desvalorização do bem que sempre assombrou os
zero-quilômetros tem atingido também os carros mais rodadinhos. Claro que não na mesma proporção, mas o suficiente para fazer a antiga idéia de que veículo é investimento cair definitivamente por terra. Para se ter uma idéia, em 2007, os veículos usados sofreram uma desvalorização média de 3,02%. Considerando ainda a inflação, a perda dos proprietários dos carros pode ter chegado a 10%. Especialistas acreditam que o boom no mercado de novos, que permitiu que mais pessoas pudessem ter a chance de comprar o sonhado carro zero, deixando os seus usados para trás e aumentando a oferta desses produtos no mercado, fez com que seus preços caíssem. E a queda nos preços atingiu todo o País. Pesquisas mostram que, em São Paulo, o preço médio do carro usado caiu 1,48%. Já no Maranhão, a perda foi, em média, de 2,3%, enquanto no Rio de Janeiro e no Ceará ficaram em 2,5% e 5%, respectivamente.
Venda de veículos em 2007
Dados fornecidos pela Anfavea e pela Assovesp mostram que os mercados de novos e usados não são tão divergentes, pelo menos não quando os assuntos são modelos e formas de pagamento escolhidos.
Venda de carros usados
São Paulo – 1,6 milhão
Veículos populares – cerca de 70%
Total de financiamentos – 72%
Venda de veículos 0 km
Brasil – 2,46 milhões
Importados – 10,9% do total de vendas
Veículos populares – 54%
Total de financiamentos – cerca de 70%
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