Há mais de seis décadas no mercado de distribuição de autopeças, a Pellegrino ocupa um lugar de destaque ao lado das maiores empresas do setor. Reconhecida pela qualidade e seriedade dos serviços prestados e pelos investimentos na modernização de suas operações, a distribuidora está ainda entre as melhores empresas para se trabalhar do País. Em entrevista exclusiva à Mercado Automotivo, Antonio Carlos de Paula, diretor e gerente-geral da empresa, fala das ações e investimentos da Pellegrino para o mercado de reposição independente.
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Antonio Carlos de Paula |
Mercado Automotivo – A Pellegrino tem conquistado cada vez mais uma posição de destaque entre as grandes distribuidoras de autopeças do País sendo hoje considerada umas das melhores. Na sua opinião, a que se deve tantos resultados positivos?
Antonio Carlos de Paula – A Pellegrino é uma empresa valorizada e respeitada pelos fornecedores, clientes, funcionários, acionistas e pela comunidade. Isso pode ser atestado através das pesquisas realizadas internamente, por outras pesquisas externas da imprensa especializada bem como por órgãos independentes como a Você S/A da Editora Abril. Evitamos trabalhar com marcas de produtos concorrentes estabelecendo uma parceria com os fornecedores através de uma fidelidade, que também leva a ter um gerenciamento melhor do capital de giro, evitando duplicação de produtos para uma mesma aplicação. Praticamos uma política comercial que respeita a cadeia de distribuição, focando nossas vendas em varejistas e revendedores, evitando assim concorrer com nossos próprios clientes. Isso tem sido constantemente reconhecido por eles. Nossa equipe de colaboradores nos elegeu pela 8ª vez consecutiva como uma das melhores empresas para se trabalhar. Portanto estão preparados para atender os clientes e fornecedores sempre com atitudes positivas e foco no desenvolvimento futuro. Mantemos há 12 anos dois grandes programas de palestras em conjunto com nossos fornecedores: o PPTA-Programa Pellegrino de Tecnologia Automotiva oferece palestras para mecânicos e balconistas, levando, além de treinamento técnico, noções de atendimento. Nosso Painel de Debates, focado nos proprietários de varejos, tem como objetivo discussões em conjunto sobre as tendências da cadeia automotiva.
Portanto, nosso foco sempre foi a parceria com todos os elos da cadeia automotiva, trabalhando de forma integrada e considerando todos os pontos relacionados.
Mercado Automotivo – Em relação às outras empresas do setor, qual o grande diferencial da Pellegrino?
De Paula – Estar atenta ao mercado. Ouvir os clientes, fornecedores e colaboradores. Trabalhar todas essas variáveis focando o atendimento e conciliando as particularidades de cada parte interessada. Todos esses interesses são transformados em ações focadas no atendimento de cada uma dessas partes interessadas. Nossos gerentes de unidades praticam uma sistemática de trabalho única em todo o território nacional. Dessa forma conseguimos nos manter competitivos e ser uma referência no mercado de distribuição.
Mercado Automotivo – Qual o tamanho da Pellegrino em número de filiais, funcionários, faturamento?
De Paula – A Pellegrino possui uma rede de atendimento composta por 18 unidades de negócios espalhadas pelo País, todas elas conectadas através de software próprio focado no atendimento ao cliente. Contamos com 476 colaboradores, sendo que 182 são atendentes de telemarketing que suportam uma equipe de 237 representantes comerciais. Trabalhamos com 31 fornecedores, distribuídos em 97 diferentes grupos de produtos.
Mercado Automotivo – Como é o relacionamento da Pellegrino com os outros elos da cadeia de distribuição de autopeças?Quais são as principais ações da empresa para o varejo e oficinas mecânicas?
De Paula – Ao longo dos anos, a Pellegrino tem demonstrado forte compromisso com a profissionalização da cadeia de reposição, particularmente do varejista de autopeças e do aplicador. Para tanto, tem contribuído das mais diversas formas possíveis, tendo como pilares três grandes programas: O PPTA (Programa Pellegrino de Tecnologia Automotiva), os Painéis de Debates e a Revista Pellegrino. Esse programa existe, assim formalizado, desde 1997. Ele consiste na realização, por todo o Brasil, de treinamentos e cursos a varejistas e aplicadores, levando conhecimentos técnicos quanto aos produtos que comercializamos e conhecimentos relacionados à gestão de seus negócios. Para se ter uma idéia da importância e da abrangência do PPTA, basta lembrar que em 2007 treinamos, por meio dele, mais de 20.000 empresários e profissionais, dentre mecânicos e balconistas. Esse programa conta com total apoio de nossos fornecedores, que realizam as palestras. Realizamos mensalmente pelo menos dois Painéis de Debates com clientes varejistas, onde mostramos tendências do mercado automotivo e discutimos ferramentas de gestão para acompanhar a evolução desse mercado tão dinâmico. A Revista Pellegrino, por sua vez, existe há 15 anos, com a missão de proporcionar conhecimento a nossos clientes, por meio de matérias sobre gestão de negócios e sobre assuntos técnicos.
Mercado Automotivo – Atuar na distribuição de autopeças em um País com tanta diversidade como o Brasil e estar sujeito a uma carga tributária tão alta não é tarefa fácil. Como as estratégias na Pellegrino são orientadas a fim de ultrapassar essas dificuldades e permanecer no mercado de maneira competitiva?
De Paula – A Pellegrino completará 67 anos de atividades no próximo dia 2 de outubro. Nesse longo período, a Pellegrino sempre pautou seus negócios pela ética e cumprimento da legislação. As dificuldades não são novidades para nenhum player dessa cadeia de distribuição. Nossos colaboradores estão engajados no processo de atender o cliente, da mesma forma que nossos clientes entendem nossa proposta de trabalho. Esses mesmos clientes também desejam que a ética prevaleça sobre as práticas escusas que, quando praticada por alguma empresa, também prejudica o trabalho deles. Sempre agimos dessa forma e nos orgulhamos de estar vivos nesses 67 anos.
Mercado Automotivo – Como o senhor imaginao mercado de distribuição de autopeças para os próximos anos? Na sua opinião, quais são os cenários possíveis? O número de concorrentes será maior ou menor? Serão feitas fusões?
De Paula – Entendo que o mercado deverá continuar crescendo uma vez que esse volume de veículos entrantes no mercado começará a fazer manutenção dentro de 3-4 anos. Não acredito em muitas mudanças no modelo de distribuição hoje existente. Poderá haver uma segmentação ou especialização por parte de alguns distribuidores, focando determinadas linhas de produtos ou marcas.
Os grandes distribuidores hoje espalhados na maioria das grandes capitais deverão começar a avaliar a viabilidade de manutenção dessa estrutura que custa muito caro. A implementação da Substituição tributária na maioria dos Estados da Federação também deverá contribuir para que muitas filiais sejam instaladas, mas os territórios livres são poucos e podem não justificar o investimento. Talvez então possa haver fusões de distribuidores nacionais com regionais lá instalados.
Mercado Automotivo – Por que a Pellegrino é uma das melhores empresas para se trabalhar?
De Paula – As abordagens de educação e treinamento equilibram as necessidades de curto e longo prazos da organização (que são identificadas com base no Plano Estratégico) e das pessoas (que são identificadas através do Levantamento de Necessidades de Treinamento), inclusive o desenvolvimento, aprendizado e progressão na carreira, Mapeamento de Desenvolvimento Profissional (prospecção de Novos Líderes), sendo contempladas na elaboração do Planejamento de RH. Através da Avaliação de Desempenho, que identifica os pontos fortes e os a serem desenvolvidos dos funcionários, é realizado o Levantamento das Necessidades de Treinamento que leva em consideração também os objetivos da área, objetivos individuais, as estratégias da organização, planos de ação de curto e longo prazos e as necessidades de capacitação e desenvolvimento das pessoas. Esta ferramenta é aplicada anualmente e consensuada entre chefia e funcionário.
Mercado Automotivo – Muitas distribuidoras de autopeças comercializam produtos com a marca própria. Existe essa proposta na Pellegrino? Por quê?
De Paula – Nossa trabalho sempre foi focado na distribuição de produtos de renome fabricados por grandes fornecedores nacionais. Entendemos que a distribuição é o nosso expertise. Em razão disso, preferimos continuar com o foco naquilo que conhecemos. Entendemos que devemos deixar nossos fornecedores nos darem a melhor solução de cobertura de produtos.
Mercado Automotivo – O senhor acredita que com o projeto Carro 100% o mercado de reposição independente está mais perto do consumidor final? De que maneira?
De Paula – Este é um trabalho pioneiro no segmento, onde todos os elos da cadeia estão envolvidos. Sem dúvida está bem próximo do dono do carro e visa mostrar a ele as conseqüências da falta de manutenção preventiva. É um grande passo que o segmento está dando. |