Edição 169 - Matéria de Capa
 
Vendas em alta
Se o segundo semestre se mostrar tão bom quanto o primeiro, as montadoras e o fabricantes de autopeças
brasileiros terão muitas razões para comemorar
 
Texto: Cléa Martins

O primeiro semestre deste ano foi, sem dúvida, o melhor da indústria automotiva nacional. De janeiro a agosto deste ano foram vendidos 245.843 veículos, contra 154.411 em 2007, ano em que as vendas foram recordes. Considerando apenas agosto de 2008, mês em que as vendas caíram um pouco em relação a julho do mesmo ano, foram comercializados 34.702 veículos, quase nove mil unidades a mais que em julho do ano anterior.
Segundo números da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores –, em todos os meses deste ano foram vendidas mais unidades que em 2007. Em alguns meses, as diferenças chegam quase a dobrar o número de automóveis vendidos. Não é à toa que, mesmo com quatro meses de vendas ainda não computados, 2008 já está há apenas pouco mais de 31 mil veículos do total comercializado no ano anterior. Quando analisados só o segmento de veículos leves, o crescimento de vendas entre janeiro e agosto de 2008 em relação ao mesmo período do ano passado foi de 59,2%. Já o setor de pesados (caminhões), experimenta um crescimento de 25,1%, embora no ano passado já tenha mostrado um crescimento de 30%. O segmento de ônibus, que vendeu 39 unidades nos primeiros oito meses de 2007, teve um impressionante aumento de 79,5% nas vendas este ano, o que mostra que o mercado de transporte coletivo também está bastante aquecido.

Autopeças
Com as vendas de veículos novos cada vez mais fortes, os fabricantes de componentes também experimentam um crescimento bastante acentuado das vendas internas. A estimativa do Sindipeças – Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças – é que o setor cresça em torno de 9,6% e fature quase R$ 77 bilhões, R$ 65 bilhões desse valor vindo das montadoras.
Acompanhar o grande crescimento na produção de veículos, que deve ultrapassar 18% este ano, é um dos grandes desafios dos fornecedores nacionais que hoje operam em três turnos e perto de suas capacidades máximas operacionais (veja matéria de Especial). O mercado de reposição, segundo dados do Sindipeças, deve se manter estável este ano e, pelo menos nas estimativas do sindicato, não é apresentada nenhuma evolução em faturamento vindo deste mercado, que permanecerá na casa dos R$ 12 bilhões.
Só no quesito exportações é que a indústria nacional de autopeças anda perdendo espaço e dinheiro. O baixo valor do dólar frente ao real diminui o lucro de quem fabrica e encarece o produto nacional nos mercados externos. No entanto, segundo alguns especialistas, essa situação pode mudar. Com a crise nos EUA, a moeda norte-americana, que andava em torno de R$ 1,60, valorizou muito e chegou em setembro deste ano a ser cotada a quase R$ 2.
No primeiro semestre deste ano a balança comercial do País apresentou um déficit de mais de US$ 1,2 bilhão. As exportações ficaram na casa dos US$ 6 bilhões enquanto as importações ultrapassaram os US$ 7,2 bilhões. Se as coisas continuarem nesse ritmo, o Sindirepa acredita que em 2008 o País terá exportado US$ 14,5 bilhões em peças automotivas, enquanto importa US$ 9,8 bilhões, 7,9% a mais que no ano anterior.
Ainda segundo dados do Sindirepa, 48% das autopeças importadas no País são oriundas da Europa, no entanto, esse índice só mostra que a maioria das importações tem sido feita pelas montadoras, que enviam peças para o Brasil por meio de suas sedes no velho continente, o que não significa necessariamente que essa peça tenha sido fabricada por lá.
O continente asiático, junto com a Oceania, aparece em segundo lugar no ranking de lugares dos quais o Brasil mais importa autopeças, com mais de 25% do total de exportações feitas no primeiro semestre deste ano.
Atualmente, nossos vizinhos da América do Sul são nossos principais clientes. Ficaram com 38,9% de todos os componentes automotivos que exportamos nos primeiros seis meses deste ano. A América do Norte é nosso segundo maior mercado externo, com 27,28%, responsável por mais de 27% das vendas internacionais feitas pelo setor de autopeças brasileiro.

Eventos
Para animar ainda mais o consumidor, entre 30 de outubro e 11 de novembro acontece no País o 25º Salão Internacional de Automóveis de São Paulo. Os organizadores do evento esperam mais de 600 mil visitantes. E o setor de autopeças também não deixa por menos: organiza entre 7 e 11 de outubro, no Pavilhão do Anhembi, também em São Paulo, a Automec Pesados & Comerciais, para a qual se espera a visita de compradores de mais de 30 países (veja matéria na seção de Pesados).





 
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