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Paulo Butori, presidente do Sindipeças |
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Roberto Hering, advogado da Martinelli
Advocacia Empresarial |
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Claudemir Galvani, da Metha
Consultoria Empresarial |
O setor de autopeças acompanhou o ritmo das montadoras ao registrar aumentos significativos nas exportações nos últimos anos. Os embarques de componentes ao exterior cresceram, só em 2007, 4,19% na comparação com o ano anterior, destaca um balanço divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Esse maior dinamismo das exportações contribuiu para alavancar o faturamento das empresas do setor. Mas as importações ainda continuam liderando essa corrida. O aumento das importações de 2006 para 2007 foram de 35,94%.
Um resultado parcial de 2008 divulgado pelo Sindipeças mostra, no entanto, que, no que tange ao volume, tanto exportações como importações bateram a marca dos R$ 9 milhões. Os fabricantes brasileiros exportam mais para a América do Sul (39,66%) e importam mais da Europa (48,78%). Segundo esses dados, de janeiro a agosto de 2008, as exportações foram de US$ 6,9 bilhões, mas as importações deram um passo maior, US$ 8,4 bilhões.
Para o economista Claudemir Galvani, da Metha Consultoria Empresarial, o setor importa muito componente porque “é mais barato trazer do que produzir”. “No exterior, todos os carros têm itens de segurança. Isso não acontece no Brasil. Exportar não está nas mãos das empresas, mas de como age o mercado externo”, afirma Galvani. No entendimento dele, o maior complicador para o setor de autopeças é a “dependência” que o mercado impôs, ao longo dos anos, com as montadoras. Mestre em economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Galvani aposta que um desligamento entre empresas do ramo e montadoras pode dar novo vigor ao setor de autopeças. “O grupo está preso às montadoras. É um mercado monopsônio. Quando isso não for regra, melhora”, diz. Em economia, monopsônio é uma forma de mercado com apenas um comprador, chamado de monopsonista, e inúmeros vendedores. É um tipo de competição imperfeita, inverso ao caso do monopólio, onde existe apenas um vendedor e vários compradores. O termo foi introduzido por Joan Robinson.
Um monopsonista tem poder de mercado devido ao fato de poder influenciar os preços de determinado bem, variando apenas a quantidade comprada. Os seus ganhos dependem da elasticidade da oferta. Esta condição também pode ser encontrada em mercados com mais de um comprador. Nesse caso, chamamos o mercado de oligopsônio.
O presidente do Sindipeças, Paulo Butori, diz que existe preocupação em dar ênfase de atuação normativa do sindicato, já que informações detalhadas são fornecidas ao governo sobre o setor de autopeças para que os representantes governamentais possam negociar melhor com os países vizinhos.
Crise
O governo brasileiro pouco pode fazer para intervir na comercialização de autopeças tanto internamente quanto nas vendas destinadas a outros países. A reflexão é do advogado Roberto Hering, que atua na área de comércio internacional do escritório Martinelli Advocacia Empresarial, em entrevista à revista Mercado Automotivo.
Para o especialista em comércio internacional, o fato de a importação e exportação de autopeças serem atividades essencialmente privadas impede que o governo intervenha diretamente no setor. “A intervenção do governo brasileiro acaba abrangendo todas as empresas importadoras e não exclusivamente as do ramo de autopeças. Essencialmente, o que foi feito foi uma redução de crédito para a compra de veículos novos. Essa medida é amparada por medidas macro tomadas pelos bancos centrais de diferentes países para conter a crise”, explica.
Segundo o advogado, o mercado está aquecido por conta da facilidade de financiamento para a compra de veículos, mas encontrou na instabilidade recente do dólar um inimigo e um aliado. Um inimigo precisamente para quem importa autopeças, porque os impostos na aduana variam de acordo com a cotação da moeda estrangeira na data anterior à chegada da mercadoria.
“Imagine num dia trabalhar com o dólar a R$ 1,70 e de repente a moeda saltar para R$ 2,45. Isso causa um tremendo impacto para as empresas porque o dólar é a variável para o imposto sobre importação”, registra.
Roberto Hering destaca, no entanto, que se por um lado a crise provocada pela alta da moeda estrangeira coloca em risco os negócios para os importadores brasileiros, os nossos exportadores estão vivendo um bom momento com a crise. “O exportador está tendo condições para lucrar com essa crise porque comercializa em dólar. Quanto mais a moeda subir, melhor”. Como a crise da moeda estrangeira não tem prazo de validade definido, o especialista acredita que deve haver uma retração dos negócios por parte dos importadores brasileiros.
Tributariamente falando, o advogado do Martinelli Advocacia Empresarial afirma que a carga de impostos do setor é uma das mais altas da cadeia produtiva, mas não vê nenhum grande mal nisso. “No setor automotivo e conseqüentemente no setor de autopeças a carga tributária é de 35%. O mercado de automóveis é um dos que mais emprega no país e é preciso dar uma margem para o nosso produto e os empregos que ele gera, para que não sejam afetados pelo produto vindo de fora”, explica.
Para Paulo Butori, apenas no início de 2009 os fabricantes de autopeças deverão sentir os primeiros impactos da crise financeira nos Estados Unidos. Segundo o presidente do Sindipeças, a previsão é de que neste ano nada vai mudar, o planejamento já foi feito, mas deve haver uma revisão para o próximo ano. A projeção de crescimento para o setor no próximo ano, que estava sendo estimada entre 8% e 10%, ainda não está definida.
Regulamentação
A participação do Brasil no Mercosul é grande e vem avançando consideralmente nos demais países.
Paulo Butori assumiu em outubro, pela segunda vez, a presidência do Conselho de Fabricantes de Autopeças do Mercosul (Mercoparts), entidade criada em 2004 pelas quatro entidades que representam o setor de autopeças no Mercosul.
Dentre suas metas está a criação de parâmetros comuns para regulamentar a importação de peças remanufaturadas e harmonizar as diferenças entre os países do bloco acerca da entrada em vigor das normas ambientais européias.
“Nossa entidade tomou corpo e conquistou o respeito de outros países. Pensamos e agimos como um só corpo, apesar das naturais diferenças conjunturais e culturais”, disse durante a posse.
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