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Antonio Carlos Bento, do GMA |
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Paulo Butori, do Sindipeças |
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Antonio Fiola, do Sindirepa-SP |
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Indiferente às especulações sobre o fato de a crise global atingir as montadoras e, por conseqüência, a área de autopeças, os presidentes de sindicatos brasileiros do setor apostam que a vulnerabilidade que atinge o mundo não afetará os negócios dessas empresas no Brasil. E mais: acreditam em abertura de mercado e oportunidades de crescimento. “Com o aumento dos juros e a redução dos prazos de financiamentos, o consumidor pode prorrogar a troca de seu veículo e, com isso, terá de fazer manutenção no seu usado”, aposta o presidente da Andap, Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças, Frederico dos Ramos.
Segundo ele, a expectativa para 2009 é manter o ritmo de crescimento em 10%, semelhante ao desse ano. “Com o advento da campanha Carro 100% / Caminhão 100% podemos até aumentar um pouco mais, pois o projeto inicia, em 2009, o programa de cursos e treinamentos de gestão para os empresários da reparação e de capacitação para profissionais de lojas de autopeças e mecânicos para que eles entendam e apliquem o conceito da manutenção preventiva, o que provocará um efeito de disseminação em toda a cadeia”, acredita Ramos. Para o presidente da Andap, o consumidor deve entender a importância da manutenção preventiva e, com isso, o setor sentirá os efeitos dessa mudança, “mesmo que paulatinamente”. O presidente do Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), Antonio Carlos Bento, concorda. Para ele, que também ressaltou a importância da campanha nos ganhos para o setor, a área registrou crescimento na comparação de 2008 com o ano anterior, e isso deve se repetir em 2009. “O setor de reposição automotiva tem crescido, em média, 10,6%, sendo que, em 2007, obteve incremento de 12% nas operações e este ano deve manter o patamar de 10%. Isso deve ocorrer também em 2009, pois temos dados que mostram que 80% dos motoristas preferem levar o veículo a uma oficina de confiança, quando o mesmo já saiu ainda com garantia de fábrica e que 14% fazem isso mesmo no período da garantia. Portanto, o mecânico de confiança tem preferência porque o consumidor busca agilidade na entrega do veículo reparado e preço mais acessível”, afirma Bento. Os representantes do setor não apostam em demissões coletivas, como a ventilada no setor de autopeças e montadoras do Paraná, que já sinalizaram a possível demissão de 5 mil empregados a partir de janeiro, após o período de férias coletivas.
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo (Sindirepa-SP), Antonio Fiola, deve haver movimentação no setor, principalmente com o atendimento a veículos vendidos em 2006, que somam mais de dois milhões de unidades, e devem migrar para as oficinas, época em que o período de garantia de fábrica acaba. “O setor da reparação de veículos no Estado de São Paulo, que reúne 14.168 empresas e emprega 200 mil profissionais, fechou 2007 com faturamento de R$ 8,3 bilhões, que representa crescimento de 7% em relação ao resultado obtido em 2006. Além disso, o setor da reparação de veículos no Brasil está em crescimento e a previsão é de expansão contínua para os próximos anos, tendo em vista que os veículos fora da garantia começam a freqüentar as oficinas”, acredita Fiola.
Dados de setembro, divulgados em outubro pela Federação Nacional de Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), corroboram com a percepção de que os resultados de 2008 já estão garantidos. Conforme a entidade, em setembro foram emplacados 254.182 veículos das categorias leves e comerciais, o que significa uma alta de 10% em relação ao mês anterior e de 30,94% na comparação com setembro de 2007. No acumulado do ano, a evolução é de 26,87%, num total de 2,09 milhões de unidades vendidas.
Números Positivos
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o faturamento acumulado das autopeças de janeiro a agosto de 2008 cresceu 11,8% sobre o de igual período de 2007. O levantamento foi feito com 95 empresas que representam 41% das vendas do setor. “Até o momento, nada indica que o País passará ileso à crise”, alertou Paulo Butori, presidente do Sindipeças. Segundo ele, os impactos poderão ser visíveis na redução dos prazos de financiamentos e nos investimentos das empresas do setor caso a atual situação se prolongue. “O crédito obtido no exterior é o principal financiador dos investimentos no Brasil”, disse Butori, ao ressaltar que as grandes ampliações têm sido realizadas por multinacionais.
Governo
Apesar de não admitir nenhum pacote para conter a crise mundial, que deve atingir o Brasil em cheio em 2009, o governo já adotou uma série de medidas para que o crescimento da economia não fique tão distante do previsto. Nos dois últimos anos a economia vinha no ritmo de 5%. Já o previsto para 2009 é um crescimento de 4% ao ano. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o crescimento da economia em 2009 será menor, mas ele descarta a possibilidade de uma recessão. Mantega disse, ainda, que o crédito hoje representa 80% do que havia antes da crise. Entre as medidas adotadas pelo governo para manter a economia aquecida está uma campanha de estímulo ao consumo, política monetária e fiscal. A partir de agora o controle da inflação não será mais a prioridade do governo, e sim a redução da taxa de juros. Mas as estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) não são animadoras, 20 milhões de pessoas perderão seus postos até o final de 2009.
Montadoras
Enquanto o presidente-executivo da General Motors, Rick Wagoner, defende a ajuda financeira do governo dos Estados Unidos para a indústria automobilística local, a General Motors do Brasil (GMB) tenta acalmar os ânimos no País e diz que a empresa possui independência financeira da corporação.
Prova disso é o comunicado oficial divulgado pela GM do Brasil em novembro deste ano, no qual a marca afasta os rumores de que o pior pode acontecer e enfatiza sua independência em relação à matriz. A nota apenas situa o mercado em relação ao atual panorama e tenta tranqüilizar consumidores. “Em qualquer cenário da reestruturação das operações da GM na América do Norte, as atividades da GM do Brasil, independentes que são, não serão diretamente afetadas, e nossos consumidores podem ter certeza de que nós continuaremos a prover os excelentes produtos e serviços aos quais eles já estão acostumados.” Ou seja, a montadora enfatiza sua independência em relação à matriz.
“Por ser uma entidade jurídica distinta da corporação, a General Motors do Brasil atua de forma independente e, por essa razão, estão mantidos todos os investimentos já programados para o período de 2009-2012, entre os quais a construção da nova fábrica de motores em Joinville (SC), o Centro Logístico de Distribuição de Veículos no Porto de Suape, em Pernambuco, o desenvolvimento e lançamento de um novo veículo a ser produzido em São José dos Campos (SP), a expansão e modernização das fábricas e do Centro Tecnológico de São Caetano do Sul (SP) nas áreas de design e engenharia, além do desenvolvimento de novos veículos Chevrolet, que chegarão ao mercado nesse período”, completa a nota. |