Edição 172 - Matéria de Capa
 
Mercado em alta
O segmento de acessórios automotivos tem crescido muito nos últimos anos e a expectativa é de que cresça ainda mais; no entanto, a crise econômica mundial esfriou um pouco os ânimos
 
Texto: Cléa Martins
 
Mercado em alta
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Objetos personalizados
   
 
GPS
  Aparelhos de GPS são objetos de desejo dos brasileiros
   
 
Proteção de veículos
  Novas tecnologias transformam acessórios em itens importantes para a proteção do carro
 

O mercado brasileiro de acessórios automotivos vem crescendo a cada ano. Hoje, as cerca de 3 mil empresas que operam neste setor movimentam cerca de 6 bilhões de reais por ano e geram 400 mil postos de trabalhos diretos e indiretos. Na Distribuidora Automotiva (Sama), tradicional distribuidor de autopeças brasileiro, o crescimento das vendas de acessórios nos anos de 2007 e 2008 foi de 20%. Esse foi um dos motivos que levou a empresa a investir ainda mais neste segmento e incorporar a Distribuidora Matrix a seus negócios. E não apenas as lojas e os distribuidores independentes que lucram com essa febre de personalização dos automóveis. As montadoras também registram aumentos expressivos na comercialização de acessórios. Para se ter uma idéia, há dois anos, os carros zero quilômetro saíam das concessionárias com R$ 300,00 em acessórios, em média. Hoje, esse valor é de mais ou menos R$ 1.200,00. Em 2007, a General Motors faturou aproximadamente 220 milhões de reais com a venda de equipamentos opcionais, um aumento nas vendas de 45% em relação a 2006.
Na PST Electronics, detentora da marca Pósitron, por exemplo, o maior interesse do público brasileiro por personalização incrementou em 20% o faturamento de 2008, que foi de 350 milhões de reais, em relação ao ano anterior. Para 2009, diz Sérgio Montagnoli, diretor comercial da companhia, a expectativa é de continuar crescendo: “Devemos acompanhar a indústria automotiva e atingir um faturamento de 370 milhões de reais”.
Para os dirigentes da Assobrava – Associação Brasileira de Fabricantes, Distribuidores e Varejistas de Equipamentos e Acessórios para Veículos Automotores –, que nasceu no II Salão do Tuning, hoje conhecido como Salão de Acessórios, e é presidida por Alberto Pellegrini, que junto com Emerson Fittipaldi organiza o evento, 2008 foi muito positivo, apesar de o último trimestre do ano ter mostrado uma forte retração devido aos efeitos da crise internacional: “Para a indústria de acessórios, o ano foi bom até o terceiro trimestre, e estamos também sofrendo atualmente com as restrições ao crédito e a falta de confiança do consumidor com a consequente retração do consumo”, explica Gustavo Fonseca, representante da Fittipaldi International Market e da Assobrava, que prevê ainda que 2009 seja um ano mais difícil, principalmente no primeiro semestre.
André L. D. da Cunha, responsável pelo departamento de marketing da Distribuidora Automotiva concorda com Fonseca e diz que, em relação a 2009, as expectativas ainda são relativamente incertas: “No momento ainda estamos avaliando nossas perspectivas em função dos ajustes de curto prazo”.

Fatores positivos
Gustavo Fonseca acredita que a crescente participação das montadoras nesse mercado ajudou a difundir ainda mais a cultura da personalização entre os motoristas brasileiros: “A indústria de acessórios vem crescendo a boas taxas anualmente. A entrada mais forte das montadoras nesse segmento ajudou a difundir a personalização do carro, que já era uma tendência internacional”.
Segundo Cunha, o crescimento do mercado é resultado do aumento das vendas de carros novos e da maior renda média da população: “Isso sem falar do crescente desejo dos consumidores por produtos de maior qualidade a preços mais justos”, afirma. Para o representante da Sama, hoje é possível que os consumidores tenham produtos e tecnologias que até há alguns anos eram inacessíveis e muito caros.
Sérgio Montagnoli também acredita que o lançamento de novos equipamentos, mais a facilitação do crédito no País e o barateamento de alguns itens impulsionaram o consumo de acessórios por aqui. Além disso, esse setor foi beneficiado pelo aumento de renda da classe C, diz o executivo: “As pessoas compram carros de entrada e equipam para deixá-los mais confortáveis, funcionais e, ao mesmo tempo, seguros”. Ainda segundo Montagnoli, o aumento do trânsito e, com isso, do tempo que os motoristas das maiores cidades passam dentro dos automóveis também contribuiu para o aumento na venda dos acessórios: “Com os opcionais de entretenimento os consumidores buscam formas de tornar sua estada no automóvel o mais agradável possível”.
Não é à toa que, segundo o representante da Assobrava, os equipamentos relacionados a entretenimento, como aparelhos de som e vídeos automotivos, aparecem na lista de acessórios mais vendidos no Brasil. Na Pioneer, que prefere não falar a respeito de faturamento, entre os produtos mais vendidos em 2008 destacam-se os aparelhos de DVD produzidos aqui mesmo no Brasil, o AVH-4080DVD e AVH-5080DVD. Outros modelos que tiveram crescimento significativo de vendas, segundo a assessoria de imprensa da fabricante, foram as de conexão USB, como os modelos DEH-P8080BT, DEH-P7080BT e DEH-9080-BT. Satisfeitos também estão os fabricantes de aparelhos navegadores (GPS) e videogames. Segundo Cunha, esses equipamentos estão entre os mais vendidos na Sama, além dos itens relacionados ao conforto e à segurança, tais como: alarmes, acionadores de vidros, travas elétricas, equipamentos de som e DVDs.
Na PST Electronics, o desempenho nas vendas de Serviços de Monitoramento e Rastreamento foi bastante expressivo, embora a segurança ainda seja o ponto forte da empresa: “Temos crescido rapidamente no mercado de rastreadores, bloqueadores e até mesmo de navegação, com os recém-lançados navegadores GPS da marca Pósitron. No entanto, nosso produto mais conhecido ainda é o alarme, seguido dos sistemas de travas e vidros elétricos”, afirma o diretor da empresa, que tem 55% de seu faturamento relacionado ao mercado de reposição.
Os aparelhos com conexões bluetooth para viva-voz também entraram para o rol de queridinhos de muitos brasileiros, que não querem ser pegos ao volante falando ao celular.

Reposição e montadoras
Enquanto o mercado de acessórios cresce a olhos vistos dentro das montadoras e também no mercado de reposição, as empresas do setor ganham cada vez mais visibilidade. O Salão de Acessórios, realizado em maio de 2008 em São Paulo, reuniu 150 expositores, que levaram ao público mais de 300 veículos totalmente modificados, além dos mais diversos equipamentos.

Diferenças
Personalização não é sinônimo de Tuning. O Tuning é uma vertente extremista do mercado de personalização, inclusive com cortes na lataria original do veículo. O Racing é uma outra vertente desse mercado. Nele, o dono do carro utiliza os acessórios para criar uma identidade mais esportiva, como a dos veículos de corrida.
O Dub é a vertente mais parecida com a personalização, já que sugere uma mudança menos drástica e mais sofisticada do automóvel.

Público feminino
Embora as mulheres se interessem cada vez mais por carros e sejam responsáveis pela compra de pelo menos 40% dos veículos novos, segundo os principais fabricantes de veículos do País elas ainda são minorias no mercado de personalização. Em alguns segmentos representam menos de 2%.

Curso
Para quem se interessa por personalização automotiva e deseja trabalhar com isso, em São Paulo, a unidade Ipiranga do Senai ministra o curso de Personalização de Veículos -Instalação de Acessórios. Não é necessário ter conhecimentos específicos para realizar o curso que dura 48 horas e custa R$ 480,00, pagáveis em até três vezes. A próxima turma deve iniciar as aulas aos sábados em 24 de janeiro. Para mais informações, ligue: (11) 2066-1988.

 
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