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Fiola do Sindirepa aposta em um bom ano para a reposição |
As vendas de veículos novos no mercado nacional somaram 197,5 mil unidades em janeiro deste ano, o que representa um crescimento de 1,5% em relação a dezembro de 2008. Ainda segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a produção em janeiro totalizou 186,1 mil unidades, o que representa um crescimento de 92,7% em relação a dezembro.
Claro que esses resultados não significam que o mercado esteja vivendo sua melhor fase. Longe disso. Em comparação com janeiro de 2008, a produção nas montadoras caiu 27,1% e as vendas despencaram 8,1%. Além disso, as exportações de veículos no primeiro mês deste ano totalizaram US$ 428,3 milhões, volume 50,5% menor que o de dezembro, e 58,2% inferior ao de janeiro de 2008. NSegundo Jackson Schneider, presidente da associação, a indústria nacional tem um grande potencial de crescimento, mas a realidade agora é outra. “Para superar essa crise, precisamos trabalhar de forma agressiva e criar, em conjunto com as redes de concessionárias, condições mais atraentes para o consumidor”.
Para Schneider, apesar da melhora do cenário, essa ainda não é hora de falar em expectativas de produção e vendas para esse ano. Atualmente as montadoras, que demitiram 1.858 empregados em janeiro, trabalham com estoques de veículos para 31 dias de vendas, o que é considerado pelos dirigentes do setor bastante normal.
Ajuda
Para ajudar a indústria automotiva nacional a enfrentar a crise o governo tomou algumas medidas, entre elas a redução do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados –, em vigor desde maio de 2008. Assim, com o intuito de estimular o consumo, os carros 1.0 tiveram alíquota reduzida de 7% para zero. Já o imposto da maioria dos veículos com cilindradas maiores foi reduzido em 50%. Carros com motores até 2.0 movidos apenas a gasolina, por exemplo, reduziu 6,5%.
Enquanto os veículos flex ou movidos a álcool com mesma potência tiveram a taxa reduzida para 5,5%.
Na época em que o imposto foi reduzido as montadoras se comprometeram a repassar as reduções para o consumidor. A desoneração temporária do imposto para os automóveis, segundo estimativas do Ministério da Fazenda, representou uma renúncia fiscal de cerca de R$ 1 bilhão.
Para a indústria de autopeças o Banco do Brasil anunciou no final do ano passado uma oferta de crédito específico. Segundo a instituição financeira, disponibilizou R$ 3 bilhões em recursos para que as empresas do setor pudessem pagar tributos e o décimo terceiro salário dos trabalhadores.
Entraves
Se de um lado há ajuda para que a crise não cause ainda mais estragos, de outro os entraves seguram ainda mais o mercado. O IOF – Imposto sobre Operações Financeiras – e o crédito são apontados por dirigentes como os piores entraves da venda de carros.
“Esperávamos que o IOF fosse eliminado. Também precisamos que a taxa de juros caia”, acredita Sergio Reze, presidente da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
A dificuldade em aprovar financiamentos para compra de carros em bancos é outro dos problemas sérios do setor. Mas a própria Anfavea, com base em dados colhidos pela Anef – Agência Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras –, confirmou que os atrasos no pagamento dos carros financiados superiores a noventa dias atingiam em janeiro 4,3% dos empréstimos.
Além disso, o consumidor não consegue pagar seu financiamento, e ainda sofre com a desvalorização do seu veículo usado.
Segundo dados da Agência Autoinforme, durante essa crise esse setor já sofreu a maior queda de preços dos últimos oito anos. Assim, muita gente deixou de trocar o usado pelo novo, mesmo estimulado pela redução do IPI, já que teve seu bem depreciado na hora da negociação.
No geral, a pesquisa apontou quedas de mais de 10% no preço de mais de 200 modelos, inclusive de carros já consagrados no mercado como Gol, Palio e Corsa.
Reposição
Se o mercado não pareceu nos últimos meses muito favorável para a compra de carro, fez com que os proprietários dos automóveis cuidassem melhor dos seus possantes. Isso impulsionou ainda mais o mercado da reposição, que tem apresentado um crescimento bem acima da média.
Segundo estimativas do Grupo de Manutenção Automotiva, se a demanda se mantiver estável durante o ano, o setor de autopeças poderá registrar acréscimo de R$ 1 bilhão em 2009. Para o presidente do Sindirepa-SP, Antonio Fiola, o setor da reposição de veículos está aquecido e o varejo vem registrando crescimento de 5% desde outubro. “Em janeiro tivemos um movimento acima do esperado, sem falar que houve um aumento do tíquete médio. Isso mostra que o motorista deixou de trocar o seu carro por um novo e está fazendo a manutenção do usado”.
Segundo Fiola, as oficinas também registraram aumento do volume de serviços, principalmente em novembro e dezembro, antes das férias:
“Janeiro, que deveria ser um mês mais parado, também está movimentado. Historicamente, o setor da reposição apresenta bom desempenho em épocas de crise e vem registrando crescimento médio de 10% nos últimos anos”, explica.
Tanta procura fez com que os gastos com a manutenção do veículo também aumentassem. O custo para andar de carro e mantê-lo ficou 5,6% mais alto em 2008, segundo levantamento da Agência AutoInforme que calcula a Inflação do Carro.
A pesquisa, feita em mais de 70 pontos-de-venda, mostra ainda que a bateria foi o item da cesta de peças que mais subiu de preço em 2008, com 19,3%, seguida de perto pela lona de freio, com 17%.
Os serviços de manutenção, como alinhamento e balanceamento, entre outros, ficaram 10,6% mais caros em 2008. Ainda segundo a Agência, apenas três itens ficaram mais baratos para quem tem carro em 2008: o IPVA, o seguro obrigatório e o álcool na bomba.
Positivismo
A reposição conta com um cenário bastante favorável para continuar crescendo a passos largos. E a instauração da lei de inspeção veicular na cidade de São Paulo, que conta com a maior frota de veículos do País, é, segundo Fiola, o fermento que faltava para que esse bolo cresça ainda mais:
“Sem dúvida que a inspeção ambiental na cidade de São Paulo trará um plus a mais, porém o importante é que o empresário trabalhe e aproveite as oportunidades. O reparador precisa se tornar um consultor do motorista e explicar a importância da manutenção periódica para garantir o bom funcionamento do veículo que, com o tempo e o uso, sofre o desgaste natural”.
Para Fiola, os reparadores serão partes importantes do processo de conscientização do motorista e as oficinas terão um aumento ainda maior dos serviços. Para isso, diz o dirigente do sindicato paulista, basta que os empresários desse setor trabalhem para orientar o motorista a fazer uma revisão antes de passar pela inspeção da Prefeitura.
Quanto a crise, acredita o presidente do Sindirepa-SP, cabe à reposição alavancar as vendas que a indústria de autopeças perde nos novos. O GMA – Grupo de Manutenção Automotiva –, que reúne todas as entidades da reposição (Sindipeças, Andap, Sincopeças-SP e Sindirepa-SP), lançou uma campanha inédita de conscientização do motorista sobre a importância da manutenção preventiva do veículo para garantir segurança, economia e redução de poluentes.
Mas, para Fiola, o programa Carro 100% / Caminhão 100%, que já é uma marca respeitada, depende muito do setor da reposição: “O reparador é quem deve mostrar os benefícios dessa prática aos donos dos carros”.
Governo
A dificuldade de conseguir crédito para as empresas que sofreram os abalos da crise internacional está entre as principais reivindicações do setor, que aproveitou a oportunidade para enviar ao Congresso e ao Senado uma carta pleiteando a votação da Inspeção Técnica Veicular, conforme Projeto de Lei nº 5.979 que está parado há anos. “Acreditamos que este seja o momento propício para isso”, afirma Fiola.
Como planejar 2009?
Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company, tentou responder essa questão em uma palestra da SAE Brasil exclusiva aos dirigentes do setor automotivo. Em suas explicações deixou claro que os dirigentes precisam nos próximos dois e três anos aprender a trabalhar com retração e restrições. Afinal, os PIBs – Produto Interno Bruto – tendem a cair nas principais economias do mundo, e o cenário será de desemprego e crédito escasso.
Isso vai obrigar as empresas a reestruturarem bases de fornecedores, repriorizarem programas de investimentos, ajustarem capacidades e consolidarem seus distribuidores. E como esse cenário não será revertido rapidamente, é imperativo que os empresários aprendam a responder com agilidade às mudanças do mercado.
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