Edição 175 - Matéria de Capa
 
Automec: 16 anos de sucesso
Os números da maior feira de autopeças da América Latina não negam que a Automec
foi um lance certeiro da indústria de reposição automotiva
 
Texto: Christiane Benassi
   
 
AUTOMEC
   
 
AUTOMEC
  Automec

Ela nasceu discreta, em 1993, ao se separar do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo. Batizado de Automec – Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços –, o evento trouxe cada vez mais pessoas e empresas para o Pavilhão do Anhembi, em São Paulo, onde tradicionalmente é realizado a cada dois anos. Ao longo desse tempo, mais de 400 mil m² em estandes foram erguidos para mostrar a um público, que já somou mais de meio milhão de visitas ao evento, o que esse mercado tem de melhor e mais inovador. Atualmente a feira agrega inúmeros setores.

Biografia e mercado
A história da Automec mostra também os caminhos percorridos pelos mercados de autopeças e de reposição automotivo brasileiro e latino-americano. Para se ter ideia, a primeira edição da feira, que contou com o apoio do Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos para Veículos Automotores – e da Abrive – Associação Brasileira dos Reparadores Independentes de Veículos –, reuniu 401 expositores, dos quais 120 eram estrangeiros (principalmente argentinos e uruguaios). 53 mil profissionais, de 48 países, estiveram presentes no evento, que teve a exportação como ponto forte e principal destaque da feira. Afinal, nessa época, os empresários do setor viam no mercado externo a chance para fomentar seus negócios.

A segunda edição da Automec, que aconteceu de 7 a 11 de novembro de 1995 e ocupou 30 mil m², espaço 50% maior que o de 1993, foi a de consagração do evento. 650 expositores (793 empresas), sendo 230 empresas estrangeiras, entre elas 56 da Itália, 35 da Argentina, 34 dos EUA, 19 da Alemanha e 30 de Taiwan, marcaram presença no Anhembi.
Aliás, nesse ano, a presença estrangeira entre os visitantes também foi notável: 2.500 vieram do exterior.

Em 1995, o setor que passava por uma re-estruturação profunda e buscava uma nova diretriz para sobreviver a mudanças como a de globalização da economia, a de redução das alíquotas e das exigências cada vez maiores das montadoras, descobriu que, diferentemente do que aconteceu em 1993, quando eram os brasileiros que buscavam negócios no exterior, em 95 foram os estrangeiros que desembarcaram por aqui atraídos pelas oportunidades do mercado nacional. Naquele ano, a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – já tinha dado sinais de que a produção de veículos no País chegaria a 2,5 milhões até 2000 e de que valia a pena investir na indústria nacional.

Ao mesmo tempo em que o mercado nacional ganhava mais visibilidade, a Automec se consolidava como o principal mostruário dos avanços tecnológicos e de novos serviços do setor de autopeças na América Latina, além de ser um dos mais importantes centros realizadores de negócios. “Desde seu lançamento a feira está entre uma das mais importantes no calendário mundial do ramo. Além disso, resolveu o problema dos empresários brasileiros e latino-americanos que não dispunham de condições para visitar as feiras no exterior”, afirmou na época Evaristo Nascimento, diretor de feiras da Alcantara Machado, responsável até hoje pela organização do evento. O ano de 95 foi importante para a história da Automec por outro fator: foi na sua segunda edição que a feira conseguiu convencer os empresários de que se separar do Salão do Automóvel seria um passo importante para o setor de autopeças. Primeiro porque, sem os carros, a atenção do público se voltaria para as autopeças e serviços, setores que durante o Salão do Automóvel raramente conseguiam algum destaque, afinal os automóveis era que interessava.

Segundo, pelo fato de o evento atrair profissionais realmente interessados em fazer negócios: “A Automec atrai somente pessoas da área, potenciais compradores ou aplicadores dos produtos expostos. E, na maioria das vezes, esses são profissionais muito ocupados, que realmente só se deslocam ao Anhembi porque se interessam pelo setor”, afirmou Nascimento.
Mais uma vez, agora em 1997, a Automec provou ser um espelho fiel do setor de autopeças. O clima nesse ano foi o de expectativa e efervescência. Afinal estava previsto que 10 novas montadoras se instalariam no País a partir daquele ano. Além disso, a crescente onda de fusões, aquisições e associações colocou o mercado nacional como um dos mais promissores do mundo. Até as exportações, que àquela altura não era mais novidade para o setor brasileiro de autopeças, aumentavam a olhos nus. A expectativa era de que, em 97, o Brasil vendesse para os mercados internacionais 20% a mais do que no ano anterior. “Enquanto em alguns países o mercado está saturado, o Brasil demonstra ter um grande potencial de crescimento”, afirmou na feira daquele ano Savvas Ioannou, diretor geral da Cosmos Motor Product, fabricante de forros para assentos e tapetes automotivos.

Em 1999, a vedete da Automec foi, sem sombra de dúvida, a reposição. Isso porque muitos empresários, pressionados pela falta de lucratividade do segmento original, viram no mercado independente a oportunidade de dividir melhor os ovos das cestas OM (montadoras), reposição e exportação. Com isso, além de mais visibilidade, o mercado de autopeças independente ganhou novos e grandes players. Foi justamente durante a Automec de 1999 que a Delphi Automotive Systems anunciou sua entrada no aftermarket.
A Valeo, outra gigante das autopeças, também aproveitou o evento para dizer que intensificaria suas ações no segmento com a criação da marca Valeo Cibié Service, uma divisão 100% voltada para o mercado de reposição.

Também se viu na Automec de 1999 a maior adesão dos distribuidores ao evento. Alguns deles, como a DPK e a Roles, levaram para a feira soluções capazes de automatizar o varejo e tornar as lojas de seus clientes ainda mais eficientes.
No mesmo ano, a Photon inaugurou, com clientes e parceiros, um estande integrado. Nele, empresas pequenas poderiam expor seus produtos e serviços no mesmo espaço e dividir custos.

A parceria da editora com a distribuidora Jahu ainda permitiu que clientes e convidados das duas companhias chegassem ao Anhembi sem ter que passar por congestionamento e esperar por vaga no estacionamento do centro de exposição já que uma van, contratada pelas duas empresas, buscava as pessoas no estacionamento da distribuidora, onde elas deixavam seus carros gratuitamente, e as levava sem nenhum custo até o evento. Se na quarta edição da Automec a reposição conseguiu destaque, em 2001 foi a consagração definitiva desse mercado. Na quarta edição do evento, a ACDelco, conhecida como marca genuína GM, ajustou o foco e foi relançada. Seus produtos agora seriam multimarcas e passariam a ser vendidos não apenas nas concessionárias, mas em distribuidores e lojas de autopeças da rede independente. Até o famoso apagão, que assustou os empresários e o Brasil em 2001, foi pequeno para fazer sumir o entusiasmo dos empresários do setor. A crença no crescimento do País era tão grande que não à toa nessa edição da feira foram lançados centenas de novos produtos. O Anhembi ficou pequeno para tanto entusiasmo. Mais de mil expositores apresentaram seus produtos e serviços nessa edição.

Além disso, os seminários e as palestras realizados durante o evento e que começaram modestos, em 2001 já recebiam e treinavam milhares de profissionais. Com 1.208 expositores provenientes de 29 países e mais de 70 mil visitantes, a Automec 2003 quebrou todos os recordes, inclusive de congestionamento na Marginal Tiete, via de acesso ao Pavilhão do Anhembi. A parte ruim de tudo isso foi a de que a feira estava perdendo o caráter de negócios que sempre a norteou.

Para evitar que a Automec se transformasse numa festa, sem nenhum outro fim que não o de diversão, na edição de 2005 empresários do setor e expositores participantes da feira resolveram voltar às origens e investiram muito mais na exposição de seus produtos do que na distribuição de comes e bebes. O resultado? Por incrível que pareça foi bastante positivo.

Em todos os sentidos, é como se a Automec 2005 fosse um divisor de águas do que foi e do que é hoje. Os recordes de público e de expositores foram batidos novamente. Mais de 1.300 empresas participaram do evento que recebeu mais de 76 mil pessoas. “A feira mostrou uma evolução bastante significativa com grau de profissionalização e interesse dos visitantes e da alta qualidade e desempenho das empresas”, resumiu Evaristo Nascimento.

Com tanta bagagem e crédito, a edição de 2007 da feira não poderia trazer melhores resultados do que os que vieram. Mesmo sendo realizada em um novo horário, das 10h às 19h na semana e das 9h às 17 horas no sábado, o que enfatizou ainda mais seu caráter de negócios, a feira atraiu 90 mil visitantes e mais de 1.350 expositores.

Nessa última edição, as empresas que participaram da Automec mostraram que a preocupação ecológica também faz parte do dia-a-dia da reposição e, por isso, o lançamento de sistemas e serviços menos prejudiciais ao meio ambiente foram destacados durante o evento.

Expectativa 2009
Com um currículo desses, as expectativas dos organizadores para com o evento não poderiam ser diferentes. E mesmo em época de crise econômica mundial, um novo recorde é esperado da nona edição da Automec, para a qual são aguardados mais de 1.400 expositores e 96 mil visitantes. “A feira tem tudo para ser um grande sucesso, como foi ao longo desses anos, inclusive já precisou que fosse desmembrada em dois segmentos – leves e pesados – por causa do vertiginoso crescimento deste importante evento para o setor brasileiro da reposição automotiva”, afirma Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP.

Para Evaristo Nascimento, a Automec surgiu com o objetivo de facilitar a relação da cadeia nacional de produção do setor automotivo com o seu público comprador, bem como o de promover a integração de todas as atividades da indústria, desde a manufatura de uma peça até o serviço: “Com a feira, industriais, compradores, comerciantes, profissionais e técnicos do setor automotivo e de serviços passaram a encontrar em um só lugar todas as oportunidades para realizar negócios, em um curto espaço de tempo e grande diversidade e qualidade de produtos”, acrescenta. Para ele, é isso que faz da Automec o sucesso que ela é hoje, passando dos 15 mil m² ocupados na primeira edição para os 78 mil m² que serão ocupados nessa próxima edição.

 
« Voltar