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Não existe explicação simples nem única para a supervalorização do real.
Estamos vivendo de novo essa discussão que sempre divide opiniões dos economistas brasileiros (mais do que habitualmente). Um bom número acha que é natural esta valorização de nossa moeda como um espelho da desvalorização do dólar americano.
Essa é – na minha ótica, pelo menos – uma parte pequena da explicação, pois ela ao meu ver não preenche talvez nem 1/5 das causas.
É evidente que deveria haver uma valorização do real, mas para medir melhor isso é preciso comparar a variação do dólar com uma cesta de moedas. E quando se faz isso, verifica-se que o real valorizou muito mais do que as demais moedas.
Não é uma variação pequena em relação à cesta, é uma supervalorização que influi negativamente na capacidade de competição dos produtos de exportação brasileiros.
Creio que para a classe dos economistas não existe problema mais vexatório do que discutir o câmbio. Há muita dificuldade em explicar a formação da taxa de câmbio, daí a limitação do debate.
O Banco Central permanece insistindo na defesa que existe liberdade de câmbio . Portanto, a formação da taxa depende da oferta e procura. Isso até é verdade, mas o problema é que na realidade a oferta e procura é que não são livres.
De um lado há motivos de atração dos investimentos externos: as boas condições de nosso balanço em contas correntes, o volume confortável de reservas e o comportamento bastante razoável da atividade econômica brasileira em face da crise, que se compara favoravelmente às demais economias emergentes ou não.
Há algumas coisas um pouco mais complicadas, no entanto, que permitem explicar uma parte importante da supervalorização do real, na medida em que o Brasil é o país que mantém um diferencial de juros que dá os mais altos ganhos de curto prazo aos investimentos externos.
Para dar apenas um exemplo, a taxa de retorno de um investimento estrangeiro em nosso mercado financeiro nos últimos cinco meses foi de 5% ao mês (líquidos). Assim é fácil medir a dimensão dos ganhos proporcionados pelo diferencial dos juros interno e externo quando se sabe que a taxa de juros é de 2% ao ano no mercado americano.
Menos fácil é concordar com o teimoso conservadorismo do Banco Central que se nega a acelerar a queda das taxas de juro, que já poderiam ter alcançado níveis civilizados desde o último trimestre do ano passado. Ao manter um patamar alto de juros, desnecessariamente, deixou de contribuir para sustentar o nível da atividade econômica, desestimulando os investimentos produtivos. E tornou mais difícil ainda a vida dos exportadores, que hoje são duramente castigados com a supervalorização cambial.
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