Edição 178 - Pesados
 
Ônibus Verde
Primeiro veículo movido a hidrogênio chega às ruas
 
Edição: Cléa Martins

 

  Primeiro veículo movido a hidrogênio
   
  Primeiro veículo movido a hidrogênio
   
  Primeiro veículo movido a hidrogênio
  Brasil é o quarto país no mundo a deter a tecnologia que permite ônibus a circular com hidrogênio
   

Para seguir o que determina o substitutivo à Lei 530/2008, aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, e que, anteriormente, pedia a redução de 10% dos poluentes emitidos, as empresas de ônibus do transporte público da cidade de São Paulo terão que diminuir agora em 30% a emissão de dióxido de carbono (CO2) de seus veículos.

Para Juscelino Gadelha, vereador do PSDB e autor do substitutivo, a medida visa melhorar a qualidade de vida na cidade: “Entendemos que o biodiesel, etanol, GNV e hidrogênio são combustíveis mais limpos que os atuais. O substitutivo prevê, até 2012, o uso do diesel com 50 ppm (partículas por milhão) de enxofre”. Ainda não há prazo estipulado para adequação à nova exigência, mas Gadelha acredita que é bom as empresas correrem.

Novidade nas ruas
A partir deste mês começa a circular na região metropolitana de São Paulo um protótipo de ônibus movido a hidrogênio, que atenderá passageiros do corredor São Mateus – Jabaquara da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.

Desenvolvido para atender ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU), o veículo funciona com hidrogênio e emite vapor de água. A solução é considerada como uma das mais ecológicas e eficazes para substituir os combustíveis fósseis no setor automotivo nas grandes cidades.

Com os 45 kg de hidrogênio de seus cilindros, a autonomia do novo ônibus chega a até 300 km. A velocidade máxima é de 70 km/h e a potência gerada pelos motores de tração chega a 170 kw ou 230 cv. Já o torque dos motores pode chegar a 3.600 Nm.

Fabricado em Caxias do Sul (RS) pela Tutto Trasporti, o veículo tem 12 metros de comprimento, capacidade para até 63 passageiros, ar-condicionado, além de piso baixo para facilitação do acesso.

O Brasil é o quarto país no mundo a deter a tecnologia de fabricação de ônibus de transporte de passageiros movido a hidrogênio (os outros são EUA, Alemanha e China). E mais ônibus devem vir em breve. É que esse é só o primeiro de quatro ônibus a hidrogênio previstos no projeto. Os outros três devem começar a circular também nos corredores da EMTU a partir do primeiro trimestre de 2010. E Mais. . .

Por quatro horas
Desde 1996 em trâmite na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 2.660/96, que regulariza o tempo de direção contínua dos motoristas, foi finalmente aprovado no mês passado no plenário da casa.

A nova lei altera o Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/97, de 23 de setembro). Uma vez sancionado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, o projeto de lei estabelece aos motoristas de caminhão e ônibus o período máximo de quatro horas trabalhadas de forma contínua em rodovias, com 30 minutos de descanso ao longo do período dirigido.

Caso o condutor não encontre no final deste período um local adequado para parar o veículo, a lei permite que haja prorrogação de uma hora no tempo de condução. O que poderia ser motivo de atritos entre governo e transportadores foi, na verdade, segundo o presidente da NTC&Logística, Flávio Benatti, um importante passo para o desenvolvimento do transporte rodoviário: “Regulamentar o tempo de direção dos motoristas é primordial para a segurança nas estradas”, afirma. Para ele, a lei é uma questão de segurança de trânsito e não trabalhista. Isso ajuda a conscientizar o motorista de que ele também tem sua parcela de responsabilidade ao volante.

O projeto discorre ainda sobre o intervalo mínimo de 11 horas entre as jornadas dos motoristas, como está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Depois de sancionada, o motorista que não obedecer à nova lei corre o risco de ter seu veículo apreendido durante o mesmo tempo imposto para descanso e receberá uma multa, considerada gravíssima. De acordo com o governo, a fiscalização dos motoristas será feita pelos tacógrafos, item já obrigatório em caminhões e ônibus, que possibilita a averiguação do tempo transitado. “A primeira batalha desta luta foi vencida. Tenho certeza que haverá mais segurança nas estradas brasileiras e consequente melhora na performance dos motoristas”, conclui Benatti.

 
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