Edição 178 - Qualidade de Vida
 
Padrões de Beleza?
 
Texto: Nuno Cobra
  Nuno Cobra
  Nuno Cobra

Uma pesquisa recente constatou o seguinte: 37% dos jovens definem sua geração como a geração vaidade, sendo que 75% deles praticam esportes. Fico feliz em ver a preocupação dos nossos jovens, principalmente na faixa dos 15 aos 30 anos, em investir no seu corpo e se defi nirem como geração vaidade. À primeira vista, não há nada de errado no fato de o jovem ser vaidoso e buscar um corpo bonito. Já que a atividade física é o caminho inverso do sedentarismo, o qual traz muitos males para a saúde. É muito bonito ver as pessoas preocupadas com sua saúde. O corpo é o nosso maior patrimônio. É tudo que temos nesta breve passagem pela vida. Justamente por isso, a preocupação com o corpo é de extrema importância.

No entanto, a mídia acaba formando uma visão distorcida de culto ao corpo, onde as pessoas buscam um corpo que não combina e nem faz parte de seu biótipo e de sua genética. As pessoas precisam aprender a respeitar o corpo como ele é. É claro que buscando de forma completamente natural que ele se torne mais homogêneo, mais equilibrado, mais bonito...

Mas sem que isso vá interferir em sua saúde. Seria um contrassenso, à custa de qualquer preço, buscar um corpo bonito, dentro dos padrões culturais, e ir contra as bases estruturais fi siológicas orgânicas desse próprio corpo. Digo isso porque vejo no meu consultório muitas garotas com o corpo bem harmonioso querendo perder gordura. É preciso que essa nova geração repense de forma mais profunda o que vem a ser beleza. E deixar de seguir o exemplo dessas profi ssionais das passarelas que, por trabalhar com roupa, necessitam ser muito magras.

As modelos possuem um peso em relação à altura maior do que 20 pontos ou quase chegando a 30. Gisele Bündchen, por exemplo, tem 1m79 e pesa 52 kg. Isso não pode ser considerado padrão de beleza e muito menos de saúde. Como profi ssionais, as modelos merecem todo meu respeito, porque batalham arduamente e sofrem demasiadamente para manter essa relação absolutamente anormal de peso e altura.

É necessário também que a mídia mostre de forma contundente o quanto elas sofrem e maltratam sua saúde para manterem-se uma “estatueta”, que atenda esse tipo de mercado. Ultrapassar a diferença de 10 pontos na relação entre peso e altura é desaconselhável.

Até 10 considero um limite saudável. Principalmente a mulher, por suas características de maternidade, necessita de uma reserva maior de gordura em relação ao homem. Esse percentual lhe dá a necessária proteção e até mesmo um contorno mais roliço. Além do mais, uma leve saliência no seu ventre oferece justamente esse algo sensual e tão atrativo ao homem. Essa busca pela “barriga tábua” é um modismo passageiro e contraria frontalmente as bases biológicas da mulher, e não pode ser mantida sob pena de criar pequenas neuroses. O homem, pela quantidade maior de músculos, pode ter uma relação entre peso e altura até menor que 10 pontos, havendo uma variação conforme seu biótipo e atividade física. Devido a essa exacerbada vaidade, muitos se atiram em qualquer tipo de prática que lhes dêem uma aparência supostamente melhor, exagerando no trabalho com o corpo. Isto não tem nada de saudável, mesmo que fosse apenas através de esportes ou musculação.

 
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