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As boas notícias sobre o comportamento de nossa economia no segundo trimestre e o reconhecimento global de que o Brasil realmente teve fôlego para driblar os piores efeitos da crise externa finalmente ocuparam o melhor espaço da mídia nacional.
Pelo que se viu na última semana de julho, a maioria dos veículos de comunicação se convenceu da eficácia das medidas do Governo que afastaram o risco da recessão e evitaram o desemprego.
É uma mudança importante porque, embora na direção correta, ainda são tênues os sinais de retomada do crescimento. A consolidação desse movimento depende da volta do clima de confiança que foi destruído da noite para o dia no mês de setembro de 2008. No trimestre seguinte, graças ao total bloqueio das operações de crédito, o PIB brasileiro despencou de um crescimento anual de 6% para praticamente zero. Poucas pessoas – a mídia principalmente –, ou no setor empresarial, que em última análise é quem pode produzir o crescimento da economia, acreditavam na possibilidade de recuperação rápida. E, no entanto, ela está acontecendo mais depressa do que todos sonhávamos.
A questão da confiança é o problema central e ela está sujeita às variações de humor nos mercados financeiros onde os agentes ainda não realizaram o grau de responsabilidade pela tragédia que alimentaram. Não se peça a eles que parem um minuto para pensar nos 90 milhões que vão engrossar as estatísticas dos famélicos ao redor do mundo em razão da extinção dos postos de trabalho, das quebras do comércio ou do fechamento de indústrias. Uns vão dar de ombros, outros atribuir a responsabilidade aos seus próprios governos como comentou, candidamente, após a falência de seu Fundo de 62 bilhões de dólares, o gestor da pirâmide campeã: “As autoridades reguladoras não estavam suficientemente atentas...”
A crise não foi produzida apenas pela ganância dos agentes financeiros e dos incentivos perversos que a sustentaram. Ela é o testemunho de um pressuposto que se provou falso: a crença dominante entre analistas de mercado e falsos “cientistas” (habilmente explorada por banqueiros inescrupulosos) que os mercados eram eficientes e seus agentes racionais.
Não se pode esperar sensatez onde a cupidez impera. Esta semana tivemos um exemplo disso entre nós, quando se aproveitou maldosamente uma notícia equivocada quanto à taxa de sucesso nas perfurações dos poços petrolíferos nos campos do pré-sal. A taxa de sucesso nas perfurações tem sido excelente, mas a revelação de um percentual mínimo de poços de produção subcomercial deflagrou uma onda especulativa a respeito do potencial do pré-sal. A tal ponto que o representante de um grande banco alemão não resistiu à tentação de especular, mandando um comunicado à matriz comentando que “novas informações lançam uma sombra sobre o potencial das áreas do pré-sal” ... segundo revelou o jornal Valor Econômico. É o velho vício presente nos mercados financeiros, onde a especulação é promessa de lucros máximos e rápidos. Para esse objetivo, nada melhor do que uma boa péssima notícia...
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