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Fotos: Fabrício Maruxo |
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Nelson Rodrigues, diretor da Furacão investe na expansão dos negócios com a abertura de novas filiais em todo o País |
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Diretor Comercial da Distribuidora Automotiva, Rodrigo Carneiro está animado com os sinais de reaquecimento da economia brasileira |
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Antonio de Paula, diretor da Pellegrino, também afirma que os reflexos da crise não foram tão fortes como os imaginados |
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Com faturamento anual de R$ 10,5 bilhões e com capacidade empregatícia de cerca de 40 mil postos, números que devem ser mantidos este ano, as empresas que atuam no setor de distribuição de autopeças mostraram que estão mais consolidadas e atentas às maiores variações da economia. “A crise trouxe uma forte necessidade de ajustes estruturais na gestão dos negócios e alocação de capital, principalmente quando a demanda passou de forte aceleração para forte retração no último trimestre de 2008”, afirma Rodrigo Carneiro, diretor Comercial da Distribuidora Automotiva.
Segundo o executivo, as viradas do ritmo econômico no final de 2008, com a queda das vendas principalmente no segmento de pesados e, logo depois, a recuperação e o aumento gradual de vendas, requereram forte alteração na gestão das empresas, que precisaram se ajustar rapidamente a cada nova realidade do mercado:
“O ano foi muito disputado do ponto de vista de preços e margens, além disso, precisamos nos adequar aos diversos desafios de abastecimento de autopeças impostos pelas fábricas, que desativaram linhas, turnos e até mesmo unidades fabris”.
Mesmo com tantos desafios, seja pelas iniciativas e ações do Governo diante da crise, ou pela boa fase da indústria e da economia nacional, o fato é que, para muitos distribuidores, a crise mundial afetou pouco o mercado de reposição. “Por aqui os fundamentos da economia brasileira bem como as instituições financeiras se apresentavam e se mantêm robustas; isso gerou a percepção de que o Brasil sofreu menos com a crise do que a maioria dos países.
Isso fez com que nossos clientes se sentissem mais confortáveis para continuar suas atividades comerciais”, diz Julio Henrique Fonseca, sóciodiretor da Centerparts.
O empresário afirma ainda que a penumbra da crise teve mais um efeito psicológico que real. Por isso, no começo do ano houve uma redução nas vendas. Mas, para o bem de todos, o susto passou: “A princípio os lojistas estavam mais conservadores. No primeiro quadrimestre de 2009, em especial nos meses de fevereiro e abril, é possível notar um desaquecimento dos negócios sobre o faturamento de igual período de 2008. Mas a partir de maio as vendas começaram a reagir e a apresentar um leve crescimento, que contribuiu para anular o efeito negativo constatado no início do ano”.
Antonio de Paula, diretor da Pellegrino, também afirma que os reflexos da crise não foram tão fortes como os imaginados. “No geral, percebemos a falta de alguns produtos por terem os fabricantes diminuído a produção de componentes, sendo que as montadoras mantiveram o mesmo volume de produção, mas nada drástico”.
Nas distribuidoras que atuam exclusivamente com a comercialização de componentes para linha pesada, o baque inicial da crise foi maior. Na Odapel, conta José Augusto, diretor Comercial da empresa, as vendas caíram 20% nos primeiros quatro meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2008. “O ano passado foi maravilhoso, até outubro experimentávamos um mercado superaquecido. Com a crise as vendas caíram. Janeiro, que é tradicionalmente o mês mais forte deste segmento, em 2009 foi bastante ruim. As coisas só melhoraram a partir do segundo semestre, quando as vendas se estabilizaram e a queda teve seu índice reduzido para em torno de 15%.
Foi em setembro que notamos o início da retomada deste mercado. E, graças aos negócios fechados nesses últimos meses do ano, fecharemos com uma queda de apenas 3% nas vendas. O que, considerando tudo que se passou, é um índice muito bom”.
Para sobreviver a variações tão bruscas na demanda, Augusto conta que é preciso muito conhecimento e um controle bastante rigoroso dos estoques: “Precisamos ficar atentos aos sinais de que o mercado vai parar e tirar o pé do acelerador na hora certa, do contrário ficamos com os estoques demasiadamente cheios e isso representa capital parado. Por outro lado, se não tivermos os produtos que os clientes querem, perdemos vendas”.
Redução do IPI
Se para o mercado de zero quilômetro a redução do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – para os veículos foi sinal de aumento nas vendas, para o mercado de reposição não contribuiu diretamente. As vendas de carros usados, que estimulam o aumento de serviços nas oficinas e consequentemente nas lojas de autopeças e de distribuição, sofreram um baque e tanto em 2009.
Só em São Paulo, segundo a Assovesp – Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado –, as vendas entre janeiro e outubro deste ano foram 21,73% menores que as do mesmo período em 2008.
Porém, mesmo isso parece não ter afetado o mercado de reposição. Todos os distribuidores entrevistados afirmam que vão fechar o ano sem crescimento, mas também sem queda no faturamento. “As vendas mantiveram-se estáveis e dentro das projeções. O volume deverá até crescer cerca de 2%, que consideramos como ajuste à inflação do segmento, então empatamos com o ano anterior”, contabiliza Antonio de Paula, da Pellegrino.
Ações e investimentos
Diante de tal quadro, mesmo numa época de crise, alguns empresários aproveitaram para investir. A Furacão, por exemplo, abriu novas filiais neste ano e pretende já nos primeiros três meses de 2010 inaugurar quatro novos depósitos. “Com isso mantemos nossa estratégia de expansão no mercado brasileiro; além disso, estamos preparando três novas campanhas de incentivo para o primeiro semestre, com vantagens de relacionamento para o cliente”, afirma Nelson Rodrigues Júnior, diretor da empresa.
Durante os 12 meses do ano, campanhas internas e promoções, além de lançamento de produtos, também foram alguns dos atrativos oferecidos pelas distribuidoras para não deixar que os ânimos dos clientes esfriassem. Na Distribuidora Automotiva, por exemplo, várias ações internas, além de incremento do portfólio, foram promovidas pela empresa. “Aproveitamos a época para nos preparar ainda mais para os desafios e oportunidades que virão e estamos colhendo um crescimento bem significativo desses novos negócios”, diz Rodrigo Carneiro.
Na Centerparts, durante o ano também foram feitos investimentos relevantes nas áreas comercial e administrativa da empresa, com lançamento de produtos e aprimoramento da Tecnologia da Informação, bem como em treinamento. “Estamos cientes de que é preciso investir para poder oferecer aos clientes processos e controles cada vez mais ágeis e consistentes”, explica Fonseca.
Os distribuidores acreditam que ações de incentivo à manutenção preventiva, como as defendida pelo GMA – Grupo de Manutenção Preventiva –, Carro e Caminhão 100%, também ajudam reparadores e lojistas a manterem as vendas e isso se reflete por toda a cadeia.
2010
Apesar de cautelosos, os distribuidores esperam que o próximo ano seja bom. “Estamos otimistas em relação ao próximo exercício. A inflação controlada, o mercado financeiro robusto e a retomada gradual da economia nos permitem vislumbrar um ano mais favorável.
Apesar de ser um ano eleitoral entendemos que o Governo estará atento às demandas, seja com problemas de origem interna ou mesmo externa”, diz o diretor da Centerparts.
O representante da Distribuidora Automotiva também está animado com os sinais de reaquecimento da economia brasileira: “É claro que ainda existem riscos no ambiente externo e mesmo no interno, se pensarmos em brusco reaquecimento econômico. Porém, com toda a certeza, as evidências mostram sinais favoráveis para os próximos anos. Estamos preparados para ‘surfar’ essas oportunidades”.
Quem também mostra que está preparado e disposto a encarar esse mar de oportunidades é o executivo da Furacão. Para ele, as ações promovidas pelo Governo em regiões como o Nordeste e em outras regiões ainda nem tão desenvolvidas como a Sudeste, tendem a melhorar ainda mais o poder aquisitivo da população desses lugares e a aumentar assim a demanda nacional. Isso sem falar na copa de futebol, que também acontece no próximo ano e que sempre gera novas oportunidades de crescimento.
De 2009, que acabou se mostrando melhor do que todos previam, fica a lição de que crescimento sem solidez não perdura, acredita o dirigente da Odapel: “Aprendemos em 2009 que não podemos acreditar em tudo o que vemos; o mundo estava superinflacionado em 30% e só agora voltou aos patamares normais. Quem fazia previsões de ganhos em cima desses números e dependia dessas vendas para manter o caixa em dia provavelmente não resistiu à crise, assim como as empresas que não contam com capital de giro”.
Mais experiências
“2009 foi maravilhoso. As ações promocionais e de fidelização realizadas por nós no decorrer do ano são responsáveis por um crescimento de 11,5% em nossas vendas. Isso mostra que se a empresa está preparada é sim possível crescer nas crises, basta aproveitar as oportunidades e saber ocupar os espaços abertos ou expectativas não supridas pelos concorrentes. Em 2010 viremos com uma força ainda maior”.
Marcos Antonio Nunes Bezerra, diretor Comercial da Bezerra & Oliveira
“Depois de um final de 2008 e começo de 2009 muito tensos, conseguimos fechar o ano com um montante de vendas, tanto da linha leve como da pesada, igual ao do ano anterior. O que é um fato bastante positivo, visto todos os problemas ocasionados pela crise mundial. Apesar do quadro econômico, mantivemos nossos investimentos, inclusive na construção de novas lojas. Agora esperamos um 2010 melhor, principalmente porque as eleições sempre movimentam bastante as economias dos estados”.
Neomar Guimarães Costa, diretor Comercial da Polipeças
“Ficamos bastante apreensivos com a chegada da crise, porém, passados 12 meses, podemos dizer que 2009 foi um bom ano. Conseguimos obter resultados positivos e ainda crescer. Esperamos que o próximo ano seja ainda mais favorável em função da própria retomada da economia, além de fatores extras, como as eleições e a Copa do Mundo, que sempre aquecem os mercados”.
Décio Luiz Bubiniak, diretor Comercial da Eletropar.
Perfil da Distribuição
De acordo com a Andap, o mercado de distribuição no Brasil tem 265 empresas que geram mais de 30 mil empregos, cujo o faturamento em 2009 foi de 10,8 bilhões de reais. É por meio dos seus mais de 400 centros de distribuição que os componentes automotivos fabricados no Brasil e até em outros países chegam aos mais de cinco mil municípios brasileiros e também em algumas cidades do exterior. A agilidade dessas empresas é tanta que a maioria delas pode garantir a entrega de um item, mesmo para os clientes mais distantes, em menos de 24 horas. Apesar de pertencerem ao mesmo elo de mercado, não significa que essas empresas sejam todas iguais. Muito pelo contrário. Além de ser formado por diferentes tamanhos de empresas – pequenas, médias e grandes –, o elo distribuidor ainda tem companhias que atuam das maneiras mais diversas. Alguns optam por fornecer produtos apenas para determinadas linhas de veículos (segmentados), já outros preferem estender ao máximo seu portfólio e, assim, conquistar mais clientes (generalistas ou diversificados).
Outra característica bastante marcante do setor é a experiência. A maioria dessas empresas já passou dos 30 anos e boa parte delas nasceu antes mesmo das montadoras de carros e grandes fabricantes de peças terem se instalado no País.
Panorama
Como numa montanha-russa, o mercado brasileiro, que vinha de uma subida acentuada em 2008, experimentou uma queda brusca entre o final daquele ano e o começo de 2009. No entanto, a intervenção do Governo, aliada à oferta de crédito mais fácil ao consumidor e à rápida adequação das indústrias e do comércio à nova realidade nacional, fez com que este ano fosse espetacular. Pela primeira vez em sua história o Brasil saiu bem de uma crise internacional e 2009 que, em janeiro, parecia vermelho para a grande maioria dos analistas econômicos, se tornou aos poucos azul.
Só para se ter ideia, a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – divulgou o desempenho do setor referente ao período janeirooutubro deste ano. No comparativo com o mesmo período do ano anterior, as vendas subiram 3,7%. Além disso, a produção de veículos em outubro (316,0 mil) é a segunda maior da história, atrás apenas do resultado de julho de 2008 (318,4 mil). Segundo a Associação, o bom ritmo de produção tem a ver com a recuperação dos estoques, que estiveram baixos em setembro, além do bom nível de vendas no mercado interno.
As boas notícias não se referem apenas aos veículos leves. No mercado de máquinas agrícolas as vendas ao mercado interno cresceram 13% em outubro em relação a setembro. No acumulado ainda há queda de 4,2%, mas há boas expectativas sobre o prosseguimento de recuperação do mercado interno.
O reflexo do bom desempenho é sentido nas fábricas, que vêm contratando mais funcionários, cerca de dois mil entre junho e outubro deste ano. No que se referente ao mercado nacional de reposição de autopeças, o quadro é bastante positivo. Segundo o presidente do Sindirepa SP – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo –, Antonio Fiola, o varejo deve fechar o ano com crescimento médio de 5%. As oficinas também registraram aumento do volume de serviços. Para ele, nenhuma novidade, já que historicamente o setor da reposição apresenta bom desempenho em épocas de crise e vem registrando crescimento médio de 10% nos últimos anos.
Quadro resumo do potêncial da cadeia de distribuição de autopeças (Fonte: GMA)

Observações: Os dados de 2009 são estimados. Não inclui a rede de distribuição das montadoras (concessionárias).
O número de empregados da indústria de autopeças foi estimado de acôrdo com a participação no faturamento do setor. |